Terça-feira, 17 de Março de 2009

Você conhece aquilo que você faz?

Foi no cinema que a expressão "referência" parece ter surgido, ou pelo menos tomado mais relevância. Quer dizer, na maioria dos casos, a repetição de uma situação ou cena conhecida como homenagem a um certo cineasta.

Para quem não se lembra, basta recordar as semelhanças entre as cenas das escadarias dos filmes Os Intocáveis, de Brian De Palma, e O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. Em ambos, além da escadaria, um carrinho de bebê desce sem controle sob fogo cruzado.


Esse "artifício" cinematográfico necessita de uma boa dose de conhecimento prévio da área onde se atua. Não só a informação técnica, mas também histórico. Em todos os ramos da arte, pode se dizer que existe a necessidade de conhecer outras produções, obras, referências, estudos.

E a mais importante de todas: conhecer outros olhares.

Para a fotografia, não basta apenas o conhecimento técnico e prático. Algumas pessoas entendem que outros olhares, dos mais conceituados aos mais comuns, são dispensáveis ou significam perder tempo com algo totalmente improdutível.

Além do exemplo das referências cinematográficas, dispensar o estudo da história da imagem é como guiar um carro desconhecendo sua mecânica: a qualquer momento a falta de conhecimento pode comprometer um bom trabalho.

Fotografar não é apenas um exercício artístico ou de comunicação. É também de conhecimento histórico, de entendimento de suas raízes, das suas origem e funções, das suas referências, da sua trajetória histórica e, principalmente, de seus personagens.

Uma centena de profissionais atravessaram os anos testando novas técnicas. Eles erraram, acertaram, compreenderam o momento e transmitiram este conhecimento através de imagens ou em outras formas de relatos. Deixar estas informações de lado é negligenciar um legado de experimentações que está facilmente ao nosso alcance.

Está lá. É só buscar.

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

FotoBiografia #1 - David "Chim" Seymour


David "Chim" Seymour e Henri Cartier-Bresson

"Chim picked up his camera the way a doctor takes his stethoscope
out of his bag, applying his diagnosis to the condition of the heart;
his own was vulnerable."
Henri Cartier-Bresson



Nascido David Szymin em novembro de 1911, na Polônia, um dos fundadores da lendária agência Magnun começou na fotografia em 1933, depois de estudar artes na França e quase enveredar pelos estudos de química e física.

Suas primeiras imagens foram de uma Europa agitada, intensa e em seus estágios preparatórios para a Segunda Guerra Mundial. Cobriu a Guerra Civil Espanhola, ao lado de Robert Capa, para a Revista Life, antes de se alistar nas tropas aliadas e partir para a guerra de câmera em punho.



A Magnum apareceria na vida de "Chim" em 1947, quando se uniu a Henri Cartier-Bresson, Capa e George Rodger para fundar a agência. Continuou em atividade, fotografando desde celebridades até a criação do estado de Israel. Mas a necessidade de cobrir causas humanitárias o fez continuar viajando.



Durante o pós guerra, "Chim" recebeu um convite da recém inaugurada Unicef para voltar à Europa e retratar o drama dos refugiados, principalmente as crianças - tema recorrente em suas fotos dali em diante. Produziu as memoráveis séries We Went Back e Chim's Children.



Em 1954, substituiu Capa na presidência da Agência, mas viria a morrer dois anos depois, em um atentado durante o armistício da Guerra de Suez.


Para conhecer mais, vale a pena visitar aqui e aqui.

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

O retrato da crise

O fotojornalismo, em seu exercício mais esclarecido, é uma forma particular e precisa sobre o contexto histórico.

Não é apenas a ilustração de uma matéria. É, por si só, o fato contado através de imagens.

Em nosso momento atual, a crise de confiança nos mercados globais anda gerando situações que entrarão para a história da imagem.

O prêmio principal da 52ª edição do World Press Photo retrata bem a falência de uma era. Mostra um policial, armado e em posição de tiro, procurando algum remanescente de um despejo nos EUA.

Nada da guerra no Iraque, Afeganistão ou África. Um misto de paranóia, desconfiança e excesso.

A imagem é de autoria de Anthony Suau.

Crise de credibilidade. Não crise de sensibilidade.

Veja os vencedores aqui!

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Como dar um Tilt em suas fotos

Nem tudo o que vemos é verdade. A percepção visual pode sofrer distorções, que muitas vezes levam às ilusões de ótica ou a efeitos bem interessantes.

Um deles é o tilt shift, uma técnica de manipulação fotográfica que cria um efeito de miniatura. Qualquer paisagem pode se tornar uma maquete com alguns minutos diante do photoshop.

Os vídeos abaixo mostram como funciona o efeito. No primeiro, uma animação usando a técnica. No segundo, uma aula rápida.

Chegou a hora de aposentar sua lente macro.





Produção de Roberta Carusi.

Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

História da Imagen #1 – Nikon

nikon1

A história da Nikon começou a ser contada em 1917, quando três pequenas empresas se uniram para criar a Companhia Ótica do Japão, ou Nippon Kogaku. Sua linha de produtos incluía dispositivos óticos de uso técnico ou científico, como telescópios e microscópios. Muito distante da produção que a tornaria conhecida mundialmente.

Somente na década de 30 é que surgiram as primeiras lentes Nikkor, de 50mm a 700mm. Ainda nesta década elas equiparam as máquinas da futura concorrente, a Canon, mas ainda não imaginavam criar um equipamento próprio, idéia que ficou um pouco mais distante com a entrada do Japão da Segunda Guerra Mundial.

Após 1945 é que a empresa decidiu investir em um projeto próprio, um desenvolvimento que levaria ao mercado, dois anos depois, a Nikon I, a primeira máquina da empresa a estampar oficialmente este nome. Até pouco tempo antes do lançamento, o nome oficial escolhido era Nikkorette…

A Nikon I vinha equipada com uma lente Nikkor de 50mm f3,5 e tinha um design muito parecido com as Leikas da época. A produção deste modelo durou até 1949, quando foi substituída pelo modelo Nikon M.

Gravado no corpo da máquina, além do nome Nikon, havia a sigla MIOJ. Significa made in occupied Japan, ou seja, fabricado no Japão sob ocupação.

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Retrospectiva 2008



Todo ano é a mesma coisa.

Canais de TV produzem programas sobre os principais fatos do ano. Alguns mais profundos. Outros mais midiáticos. Em comum mesmo, apenas um apanhado de notícias que pouca informação agrega ao momento.

Porém, o Big Picture, blog de fotografia do The Boston Globe, reuniu 3 páginas de imagens que contam histórias sobre 2008. Em sua maioria, registros sobre geopolítica e suas consequências.

Obama, Olimpíadas, crise financeira, natureza. Um apanhado de imagens para pensar nas histórias de 2008.

Página 1 aqui.
Página 2 aqui.
E página 3 aqui.

Produção de Roberta Carusi.

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Um mundo e suas imagens

Photos that Changed the World é um site com algumas das principais imagens sobre a história recente do mundo.

Nem todas são necessariamente registros fotográficos, mas cada uma delas explica exatamente seu contexto, como crônicas visuais de um mundo contraditório.

São imagens fortes, algumas realmente perturbadoras, outras nem tanto. Narram episódios de intolerância, paz, retrocesso, esperança, violência, progresso, vergonha, sucesso, dúvida, realidade.

Fazem pensar. Mostram que a fotografia, além de arte, é parte importante e imprescindível do registro histórico moderno.

Independente da validade de cada uma, são retratos da sociedade que convivemos, que nos cerca e nos transforma.